Um conjunto de coisas me fez chegar ao assunto deste post.
Primeiro, eu fui atraída pelo prêmio “Twitter do Ano” (os indicados para tal são no mínimo estranhos, dignos da expressão do blog: WHAT THE FUCK?) até o site da MTV que mostra os indicados ao VMB 2009 e vi que o lance por lá está mais feio do que eu achava. Segundo, assisti uma pequena reportagem sobre Raul Seixas hoje (lembrando que dia 21 faz 20 anos que perdemos esse gênio) e tive certeza: não se faz mais artistas como antes.
Falando em Raul Seixas, prevejo um especial sobre esse maluco beleza que eu adoro e admiro tanto. Aguardem.
E então, jutando esses dois elementos, chegamos ao assunto: a decadência. Acho que este tema pode até estar meio batido em se tratando de mim, mas dane-se, é verdade.
Vamos começar oficialmente o tema, agora:
A música está caindo. A boa música e no mainstream, para falar a verdade. Tudo o que temos agora são estrelas decadentes no cenário principal.
O que acho muito errado é o descompromisso, e a falta de atitude que não é só musical, mas do povo em geral também. Falta-nos a vergonha na cara para levantar e tomar atituides ao invés de apenas ficar no “mimimi”. Sem contar que os temas que poderiam ser tratados são inúmeros, agora, os relatados nas músicas são sempre os mesmos.
Será que ninguém vê de onde viemos e para onde iremos? Problemas sempre existiram e sempre existirão, mas eles poderão ser menos piores se alguém se levantar na multidão e dizer “Hey, vocês! Há algo errado!”.
Vejamos quais são as músicas que estão concorrendo na categoria “Hit do Ano”:
-”Cartas Para Você”, do NxZero;
- “Me Adora”, da Pitty (o que aconteceu com o lado reclamão e ativo da Pitty?);
-”Burguesinha”, do Seu Jorge (acho que a melhor de toda a lista, ainda);
-”Sutilmente”, do Skank;
-”Fly”, Wanessa part. Ja Rule
Agora, digam-me: qual é o assunto principal de todas essas músicas: amor romântico.
Grandes compositores a músicos do século passado falavam sobre a ditadura, sobre a sociedade toda errada que vivemos até hoje, entre outros. Deixavam de falar de amor? Claro que não. Não precisamos abolir totalmente um assunto, tratando-se apenas de outro.
Eu escrevo algumas músicas, e ficam ruins, mas estou começando, e procuro falar sobre o que sinto no momento. Raras vezes falo de algum amor romântico, sentimento sentido pronfundamente. Mas não devo e não posso, não consigo esquecer do mundo de hoje em dia.
Muito falamos sobre o Senado sujo, e tantas outras coisas sujas. Mas nada fazemos para que isso mude.
Assim como era na época da ditadura – em que artistas chegavam a ser extraditados por sua expressão – a música era o veículo que levava a mensagem que o povo queria e devia ouvir, usando de metáforas e palavras ambíguas para levar o sentimento de querer ser livre, de melhorar as coisas, deveria acontecer hoje. A diferença é que ninguém está impedindo artistas de falarem. A diferença é que sua música não será censurada. Talvez a enorme facilidade em expressar-se, e livremente, tenha tirado o talento de dizer por palavras tortas o que deveríamos saber de direito.
Alguns artistas ainda prestam, claro. Titãs, por exemplo. Ótima banda… E se procurarmos bem no movimento underground, veremos muitas bandas lutando contra a sociedade que oprime sem oprimir a expressão do lado errado das coisas.
O que eu quis dizer com oprimir sem oprimir? Veja: as pessoas não querem pensar, porque os governantes não querem que elas pensem. A partir do pensamento, do questionamento, há a revolução. Primeiro a revolução interna, de pessoa em pessoa, depois o juntamento das pessoas e a revolução estampada na cara do mundo. E os líderes, os governantes, a elite, não querem que você pense para mudar o que está muito cômodo para eles.
Então, vendem o lixo amoroso que todos estão acostumados e pedem para ouvir, até. E os artistas por vezes se obrigam a escrever sobre isso, para vender: na minha opinião isso continua sendo errado e ruim, são artistas vendidos. É claro que idealistas não vivem só da brisa das palavras e do vendaval do questionamento. Mas vender-se não é o caminho.
São raros aqueles que olham para o lado e vêem mais desilusão do que aquela de “perdi o cara/a mina que eu quero”. São raros aqueles que vêem a porca que de tão gorda não anda mais.
Mas nem tudo está perdido. Aquelas bandas, as de garagem. Olhemos para elas. Olhemos para os pensadores, do passado próximo, do presente, e talvez de um futuro melhor. Pensemos.
E vou acabando por aqui. Eu continuarei falando sobre isso em posts futuros. Não devo e não posso deixar de lado. Alguns me chamarão de louca, mas e daí? Estou seguindo meu instinto idealista e tentando falar com vocês para que aqueles acomodados que não muito fazem, façam mais.
Eu espero, algum dia, mostrar para vocês o fruto do meu trabalho árduo como uma música não de sucesso, mas de realização quanto à expressão.
Até mais, caríssimos. Continuo com isso depois. Reflitam.